Cheirando Café


quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Na Parede do Meu Banheiro

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Quero me arriscar
rabiscar ...
Pintar é sujar.

Em minha direção,
caravelas naufragando em expedição,
canhões apontados para o mar,
e eu voando pelos ares nos mares do chão.

No quadro, ou fora dele,
sempre existe uma obra de arte aparentemente inútil e sem abrigo,
sem o conforto da poltrona do Sr. Real.

Na parede do meu banheiro,
só quero me apagar,
me pintar de preto,
apagar a luz.

e é tudo banal,
é um traço,
é um Risco.

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quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Sobre (a) Inspiração

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Agora tenho tempo pra ti. Cadê você, Inspiração?
Desculpe se eu estava ocupado. Algum ressentimento?
Sei que a deixo esperando. Mas, não é em vão.
Afinal, você também é livre, não posso te prender.
Só quero que entenda um poeta. Você bem sabe,
cada qual com seu tempo. O duro é não escrever.

Preciso dizer sobre as flores, sobre os amantes,
sobre o vazio, sobre os desamores, sobre agora,
e igualmente, sobretudo,  sobre amanhã,
sobre depois. Quero falar neuroticamente
sobre tudo e se não sobra nada
eu falo outra vez sobre antes.

E se não sobra, que sobre nada,
que sobre o que sobrou,
que sobre um sobejo,
que sobre e assombre,
que sobre perto,
que sobre sem sombra de dúvida,
que sobre vergonha,
que sobre um passo,
que sobre longe,
que sobre a serra pro gavião carcará,
que sobre paisagem,
que sobre chuva,
que sobre mangue pro mar,
que sobre um bocado,
que sobre amores,
que sobre embaraço,
que sobre um sobrado,
que sobre uma janela,
que sobre flores,
que sobre pedras,
que sobre sobras,
que sobre restos,
que sobre água pro rio
que sobre alguns versos ensaboados
nas mãos das sábias lavadeiras do Rio Acaraú,
que lavam ainda sóbrias
sob incansável calor na cabeça
e ainda contam histórias sobre uma ponte velha de Sobral.

Preciso narrar o ballet da centopéia no último degrau da escada do bosque do parque perto do lago às cinco da tarde depois de comer um inseto sem saber se é doce ou é salgado;
o raio de sol da manhã do lado esquerdo do peito da menina de olho verde apaixonada com cinqüenta centavos na fila de pão;
o mistério da sombra do ser verde parecido com alienígena da ficção científica, mas que na verdade no dito popular é um bicho papão que ataca de madrugada;
a amplificação da cultura globalizada e a experiência de vida  sob a narrativa das juventudes miscigenadas por uma cultura regional. E o ataque do capitalismo selvagem? Estamos no fim dos tempos? Já falei de inteligência artificial?
E já que falo de tempo, tenho vontade de contar aquela história do doce da alegria, da temporada que fiquei fora de casa, das marchinhas de carnaval, aquilo transformou todas as pessoas que estavam lá em fantasia.

Vamos fazer as pazes pra todo mundo ver?
Enlaçamos o tempo, você aparece
e eu espalho uma poesia dedicada a ti.

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sábado, 25 de junho de 2011

Bom Dia e um Recado, meu bem.

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Na cozinha, em cima da mesa, um beijo suave e um pacote de pão.

Num abrigo,  moramos e desmoronamo-nos juntos, juntos assim, dentro de nós, e dentro, entre a calçada e o muro, entre a casa e o jardim, entre o sonho e a janela, sentado no chão, comendo geléia e vendo novela. e no mesmo teto, um mergulho na sala, no quarto, um pulo na cama... Diz que me ama, ou melhor, diz que não ...

Abre-se a porta, vive-se o lado de agora e num instante, indeciso, no próximo verso,
o abrigo não é aqui, é outrora.

Vejo de mim e de lá,
passos largos na rua,
dias curtos,
noites longas,
mortos vivos,
corpos firmes,
almas frágeis,
sambas tristes,
uma história,
cem finais,
chuvas breves,
e um só sertão.

É mesmo uma história, falei aqui e no outro verso.
São pontos iniciais que não são finais, não são vírgulas nem reticências,
já disse e não vou mais dizer, são pontos iniciais, o telhado do abrigo, talvez.

Sem entender mesmo o que são pontos iniciais, escrevo assim nesta carta...

Não quero abrigo, não quero casa. Teu amor é meu quintal.

... pro bem ou pro mal, quero ficar no bloco de fora do carnaval, e o carnaval já vem.


Meu amor, é melhor dizer que não, o perigo é mais um abrigo. Já fui, o trem partiu amanhã. 

Não te preocupas, a partir de agora tens um poema na mão e um verso de mim.


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quarta-feira, 1 de junho de 2011

Conte Antes que Amanheça


O quadro colorido respira cinza na parede. Arte morta no escuro. Quem tem vida aqui? Não se engane. Aquela alma se arrebata dali, vai vadiar. Afinal, tem muita sombra interessante pela casa. E a luz pede pra dormir. É uma verdadeira zona.

- Alguém se importa? Quanto devaneio.

O vento de dia calado agora passeia morando, num diálogo confabulo redundante, propalando desocupado pela sala, levando também, num expresso amargo, os segredos e as angustias das casas para o mar.

O envelhecido silêncio canta no mar doce da ilusão doce. O mar tão doce que doce habita sob a minha cama, barco branco que navega além-mundo; outra vida, outro solo, outro tudo... 

- E o silêncio  do silêncio do silêncio do silêncio do silêncio ...

- ah, o silêncio.... é tão suave e tão barulhento, é imenso, quantas fermatas, quantos compassos, quantas notas abaixo de oitavas dos quintos de infernos pessoais. Só quem ouve bem são poetas, insones, os desamados, os perdidos, os acabrunhados, os tolos, os agoniados e os que teoricamente não pertencem a este mundo: os mentirosos, talvez os duendes e as fadas.

- Confesso que não sei dizer quem não pertence a este mundo. Já experimentou imergir?  

O tempo e o silêncio vivem sedento e sexualmente no escuro. O movimento noturno é muito maior, é desordem subjetiva, é provocação na entrelinha.

- Meu deus, já pensou quanto se sufoca com a luz? Eu soube que nas sombras é que existe.

É madrugada, apago a luz e percebo que as cores que me restam são um poema e uma canção. Acabei de plantar um germe no vaso de terreno frio; no vaso solo fértil ilimitado da fantasia.

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terça-feira, 10 de maio de 2011

Estação em Si

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O pacto pesado do parto e o nascimento e a criação.
A ponta da faca de dois gumes que perfura o juízo.
Experimentemos a dor pelo rio vazio, a ponte pela razão
e a calma pela ilusão.
é... voar, andar...
E o passar desapercebido dos passos perdidos
e o solo fértil do piano que toca o céu.
A majestade, seu senhor, o mestre, o cientista,
o astronauta, a puta e o jornalista.
E pagar pelo conhecimento sujo de pura e venenosa ignorância
no bom e mal sentido ...
e o amor?

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quinta-feira, 14 de abril de 2011

Filosofia de Tinta


quem sou eu ?
quem somos nós?
quantos sonhos na mão?
É pra contar?
Dois, três, quatro pétalas despetaladas
beija-flor que come carne e caça de madrugada,
Quem voamos somos nós?
somos o vôo da canção?

Somos rosas,
vermelhos,
pretos do jardim,
somos sombra das palavras,
poesias apagadas,
somos cores mal pintadas,
Somos Cinzas e Não?

O pincel que pinga dor na xícara suja da pia,
o amor de cabeça,
a sala vazia,
a poeira,
o grão de areia,
a puta vadia,
o enfim sós,
o riso mentiroso do palhaço, quem ria?
somos um circo,
o não me esqueça ou o não posso de cada dia?
Quem sou eu?
Quem somos nós?

Tinta tinta tinta pinta pinta pinta,
cores cores cores e Cores se via.

Sou britânico atrasado,
Polítco mal pago,
Loira Bela,
Sou Buraco,
Sou Favela,
Trevo de 7 folhas,
Sete Patos na Lagoa,
A mulher da Cinderela, 
A poeira do Armário,
O cuscuz e o feijão,
O cachorro no Telhado,
Sete passos, 
Sete cores,
Sete traços,
E o que eu faço com você e essa tinta em minhas mãos?

Tinta tinta tinta pinta pinta pinta,
cores cores cores ...

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segunda-feira, 21 de março de 2011

Canção que Aprendeu a Andar

Show dos Comparsas



Nesta próxima quinta-feira, 24 de março, os Comparsas da Vivenda farão um grande show no Sesc Emiliano Queiroz, em Fortaleza.

Com um ano de existência e uma série de pequenas apresentações na bagagem, o coletivo fará na próxima semana sua maior apresentação até agora. A ideia é fazer um apanhado de boa parte do que foi produzido ao longo desse ano e compartilhar no palco, diante do público. Serão tocadas tanto músicas antigas quanto músicas inéditas, até compostas durante os ensaios para o show, além de outras surpresinhas. O show foi batizado de "Canção que aprendeu a andar", que é trecho de uma composição do comparsa Caio Castelo.

Neste dia 24, sobem ao palco os mesmos sete comparsas que estão no cartaz acima: Amanda Nogueira, Allan Diniz (eu), Caio Castelo, Carlos Hardy, Jairo Ponte, Lorena Nunes e Richell Martins. Estamos preparando um show bonito e caprichado. Até lá!

SERVIÇO
Show dos Comparsas da Vivenda
Local: Sesc Emiliano Queiroz (Av. Duque de Caxias 1701 – Centro)
Dia 24 de março (quinta-feira), às 20h
Ingressos: 10R$ inteira e 5 R$ meia