Cheirando Café


segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Partituras de Saudade

Hoje recebemos um recado e elogios, via orkut, de uma fã perdida e anônima da Véu de Maya (banda que jaz há mais de 2 anos em nossos corações). Este contato me fez lembrar de muitos momentos e histórias que vivi por causa da arte, da paixão pela música. Um deles foi um dos Festivais de Música de Ibiapaba - Viçosa-CE -, em 2007. Revirando arquivos, um deles o antigo blog da "Véu", lembrei também de um texto que meu amigo e colega de banda escreveu sobre essa experiência, essa viagem - que foi muito linda, diga-se de passagem. Sem mais arrodeios ...

Rafael Ferreira, Saulo Duarte, Lise Lopes, Allan Diniz e Robert Veras(jul 2007)
Escrito em julho de 2007

Ano passado, o amigo e querido "Mestre" (violoncelo) da Dilei havia comentado o quanto o Festival de Ibiapaba havia mudado a sua vida. Viajar em si tem algo de transformador - algo arquetípico, ouso dizer. É como se a mudança concreta da paisagem provocasse você a explorar novos arranjamentos internos - como numa música que você experimenta um novo ritmo, um outro acorde, um inusitado instrumento. Às vésperas do dia de estrada, lembrei sua fala com gosto de boa expectativa. Viajamos a Véu de Maya em peso: Saulo, Lise, Allan e eu, mais o agregado Rafael, nosso anjo da guarda.

Viçosa do Ceará, cidade que acolhe o festival, parece convidar silenciosa a cada esquina o visitante a se mudar pra lá: as casas antigas, as praças bonitas, os pedestres transitando nas ruas vazias, além do cobertor verde e azul do alto da serra. À noite, como se não bastasse, a magia da serração, evocando as belas e as feras dos contos encantados.

Dividimos quinze músicos uma casa, às portas da descida pra trilha da Pedra do Machado. A oportunidade da convivência foi única. Apertar laços, atar novos e, por que não, desatar outros. Particularmente, pude conhecer de perto o grupo Murmurando e suas figuras cheias de alegria e musicalidade; ser apresentado à presença suave e intensa da Carlinha; ser estimulado a estudar mais pelo exemplo do Tadeu; reencontrar a Raquel; vivenciar o próximo mais próximo, como a Iago e a própria Véu de Maya. Para além da casa, os amigos da Falsa Boemia e o Sidarta, entre outros.

A programação do festival consistia de oficinas de música durante o dia e apresentações musicais à noite. No tocante às oficinas, uma chance de ser orientado por mestres no estudo do seu instrumento ou teoria e percepção em geral, além da oportunidade de travar contato e experiência com os outros educandos. Quanto às apresentações, aulas shows dos professores e shows propriamente ditos de beleza e qualidade, tais como o "Gonzagas" do Coral da UFC e o "Bossa-Trônica" da Paula Morelenbaum. Afora as "Rodas de Som", que fechavam as noites e aqueciam os ânimos com as nossas apresentações, não raro você ou eu articulando para subir ao palco com alguém que conheceu há um ou dois dias!

A Véu de Maya volta para casa com poeira dourada nas mãos e sementes de amizade e música...
texto de Robert Veras

sábado, 11 de setembro de 2010

Sou animal Arisco

...

Sentia-me calmo, protegido, assustei-me...
Perdi, viciadamente, a confiança
olho para uma espécie de espelho?

Fugi ....
... num desejo, ... vendado, voei
em melodias de piano que tocavam espectros de luz a milhares de distancias e possibilidades...

e que me tocavam também, bem fundo, quase que abissalmente
é como se deitasse a mão por dentro,
só lançava, não conseguia mirar – ali, estava - num desmedido intenso,
sentia, sentia, sentia ...

de repente,ouvia-se em todo mim, bem grande,
um grito, urro, rugido, berro, de fúria, aborrecimento, desencontro!

...cedros-brancos, azáleas, hortênsias, gardênias, camélias, prímulas, e umidade se misturavam às minhas lágrimas, que ao invés de cair, voavam, coloridas, gota a gota, e se perdiam ...

Eu caminhava no bosque da minha alma.

...